quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Fan fic: Dentro de um filme - 7º capítulo


The dungeons



Fiquei tão absorta em meus pensamentos, tão anestesiada, que só fui perceber que estava a caminho da prisão quando comecei a descer as escadas. Ao chegar ao último degrau vi que parecia um labirinto. As prisões de Asgard eram como eu lembrava, como eu havia visto em “Thor: o mundo sombrio”.
Pensava que iria dividir a cela com outros prisioneiros, como tinha visto no filme, afinal eu não era um dos filhos de Odin, mas ao chegar à minha cela vi que estava enganada. A cela ficava perto de uma das escadas de acesso à prisão, nela tinha uma cama, uma mesa e uma cadeira. A cela tinha duas paredes brancas e os outros dois lados tinham a cerca dourada. Ao chegar ao fundo da cela notei que havia uma porta de vidro com brilho dourado que ficava de frente para a segunda parede da cela. Sua estranha posição no cômodo criava uma ilusão de óptica, dando a impressão de que era uma parede branca lisa para quem olhasse a cela de frente. Atrás desta porta havia um banheiro com uma banheira, uma mesa, com alguns vidros e toalhas sobre ela, e uma espécie de cabide para roupas. Neste havia três vestidos. Pensei “Isso só poderia ser uma piada”. Os vestidos tinham em comum as seguintes cores: verde, preto e dourado. Definitivamente, em Asgard, minha fantasia tinha sido interpretada da maneira correta: uma apologia a Loki.
Ao sair do banheiro, os guardas já haviam partido e o dourado havia tomado conta da entrada lateral, pela qual entrei. Notei que havia dois livros sobre a mesinha da cela.
- Frigga... - murmurei. Só ela teria a compaixão de me oferecer todas essas regalias. Abri um dos livros. - Runas.. - resmunguei tristemente. Eu não sei asgardiano.
- Duvido que consiga ler o que está escrito. - ouvi uma voz familiar dizer.
Levantei a cabeça e olhei para a cerca da frente de minha cela. Quem falava comigo era o Loki.
- Então a traidora não conseguiu convencer o “pai de todos” de que era inocente? - disse Loki com sarcasmo.
- Pelo jeito só consigo enganar os filhos. - respondi amargamente.
- Você nunca me enganou! Eu sabia que estava tentando me manipular! Que estava escondendo o que sabia! - gritou.
- Realmente.. Eu falhei.. Não consegui fazer você mudar de ideia, por isso, agora, estamos os dois aqui presos. - retruquei.
- Oh. E quer que eu lamente por você, sua mulher estúpida? Quer que eu sinta pena de você? - vociferou.
- Eu não... O máximo de tempo que posso passar presa são algumas décadas... Você é que tem a pena maior... Milhares de anos.. Eu que lamento por você. - respondi ironicamente.
Vi ele bufar em sua cela. Ele ficou me encarando por um tempo. Em seguida voltou a falar.
- O que eu ainda não entendi é porque você ficou do meu lado, se desde o início sabia que eu iria perder. Você por acaso não viu isso em seu futuro? - perguntou Loki. - Ou você é burra ou é suicida. - completou.
Suspirei alto. Era perda de tempo ficar rebatendo tudo o que ele dizia. Por mais que eu soubesse que fui condenada por apoiá-lo, e que ele não se importara comigo, eu não conseguia sentir raiva dele. E pior, eu não sabia por que. Sentei no chão bem próximo a parede dourada e olhei para ele.
- Eu não posso ver meu próprio futuro. - confessei - E mesmo que você não acredite, o que lhe falei lá no seu esconderijo é verdade. Desde que conheci você, me simpatizei, me identifiquei com sua história. Como tinha lhe contado, eu tenho um irmão, e nosso relacionamento é tão conturbado quanto o seu com Thor. - completei.
Ele ficou um tempo me olhando. Depois se sentou no chão também próximo à cerca dourada e ficou me olhando.
- Eu mal falo com meu pai. Nossas conversas são sempre difíceis. Ele está sempre me comparando ao meu irmão, me culpando por algo. Minha mãe é o contrário, nunca senti diferença em relação ao amor que ela me dava e ao que dava a meu irmão. Sei que Frigga também é assim em relação a você. - continuei.
Eu não nunca fui uma pessoa muito emotiva, tão pouco falava sobre mim. A única pessoa com quem compartilhava os meus sentimentos era Phillip. Mas com Loki era tão natural falar sobre como me sentia em relação à minha família, que as palavras fluíam naturalmente.
Depois de ficar algum tempo absorto em seus pensamentos, Loki finalmente voltou a falar.
- Odin não sabe o erro que está cometendo. Thor é um idiota! Não serve para ser rei! Não saberia como governar! Ele continua sendo arrogante e imprudente! Pude comprovar isso quando ele invadiu Jotunheim! - disse com raiva.
- Você falando em arrogância? Eu até concordo em parte com você. Concordo que, mesmo hoje, mesmo tendo mudado e se tornado menos arrogante, ele ainda não tem condições de governar. Na verdade, ele parece nem desejar isso. Mas foi você que o induziu a ir até Jotunheim. Entretanto, se não tivesse feito isso, se Thor não tivesse sido banido, ele não teria amadurecido. Ele não seria o que é hoje. Pelo menos isso Odin deveria reconhecer. - rebati.
Ele franziu o cenho e ficou me olhando por um tempo.
- Você também sabe disso? Viu isso também? E vê algo de bom no que fiz? - perguntou sorrindo com ironia.
- Você pode não ter tido a intenção. Mas que no fim fez algo de bom, você fez. - respondi sorrindo. - Sei que você no fundo ama Thor, assim como eu amo meu irmão. E sei que você no fundo ama Odin, só não quer admitir. Você se revolta por que no fundo se importa, porque isso te afeta. Se não se importasse com o que ele sente por você, você já teria seguido em frente e não sentiria tanto ódio. Quando nós dois aceitarmos que, mesmo que tentemos ser merecedores, eles nunca nos amarão da mesma forma que amam nossos irmãos, nós encontraremos paz. Temos que aceitar que nossos pais apenas nos amam do jeito deles, mas nunca igual. - respondi.
Loki revirou os olhos fazendo cara de desdém. Eu sorri e voltei a falar.
- Enquanto esse dia não chega, eu vou continuar remoendo as minhas mágoas também. - completei sarcasticamente.
- Eu quero o trono. Ele me pertence. Eu nasci para ser rei. - retrucou.
- Você mesmo disse ao Thor “Eu nunca quis o trono, eu apenas queria ser seu igual”. - rebati sorrindo.
Ele sorriu de volta e ficou um tempo me olhando. Em seguida se levantou, pegou um dos livros que tinha, deitou-se na cama e começou a ler. Eu olhei para os meus em cima da mesa e suspirei. Tudo o que eu podia fazer era ver as figuras.


Os meses que se passaram pareciam séculos. Eu não tinha muito o que fazer na cela, então passava o tempo entre cantarolar músicas que eu gostava e entre importunar o Loki para saber o significado ou a pronúncia de alguma runa do livro. Ambas as atividades, passado algum tempo, deixavam o Loki muito irritado. Em outros momentos ficávamos conversando, principalmente quando os prisioneiros das celas ao lado adormeciam. Com o passar do tempo Loki estava se tornando mais amigável. Loki me contava lendas e algumas histórias que a Frigga costumava contar a ele quando criança. Eu também pensava muito em Phillip. Às vezes adormecia chorando, pensando nele e em minha mãe. Será que nunca mais os veria?
Eu já tinha perdido a noção do tempo, já não sabia quanto tempo fazia que eu estava presa. Eu também não sabia se era dia ou noite, então dormia em horários bizarros. Uma manhã eu acordei com o Loki gritando com alguém e com o susto cai da cama. Quando finalmente consegui me levantar, olhei para a cela dele. Ele estava de costas e sozinho. Eu devia ter tido um pesadelo.
Mais tarde, naquele mesmo dia, eu estava mais uma vez tentando decifrar runas, quando olhei para a cela de Loki e vi que ele estava brincando com um copo, deitado na cama. Fiquei olhando a cena por um tempo, senti quase um dejá vu, até que me toquei que realmente já tinha visto essa cena anteriormente. Foi quando ouvi gritos vindos de outras celas. Eu me levantei e aproximei-me da cerca dourada. Loki, em sua cela, fez o mesmo. Foi então que entendi o que estava acontecendo. O pesadelo se repetia, eu estava em outro filme. Thor, o mundo sombrio.

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