terça-feira, 27 de novembro de 2007

"Disciplina é liberdade..."



www.malvados.com.br

Sempre ouvi que jovem achava que era imortal e tem pressa para tudo. Que jovem bebe demais, briga demais, corre demais, sem ter a noção que isso pode custar a sua vida. Isso na maioria dos casos é verdade, pois a maioria cresce tendo a errônea impressão de que quem morre são os mais velhos.

Acusam a juventude também de não levar a serio os estudos, de “empurrar a vida com a barriga”, mas isso tem mudado muito hoje, já que o mercado de trabalho tem se tornado muito competitivo. Mesmo assim, os recém saídos da adolescência são acusados de não pensar no futuro, de gastarem tudo o que ganham com farra e besteiras, coisas supérfluas.

Parece que a maioria dos jovens não possui uma coisa: medo. Estariam realmente todos os jovens errados?

Conheço inúmeros casos de jovens que morreram ou sofreram algum acidente de carro por beber e dirigir ou por dormir na direção do carro. Outros brigaram por besteira em bares. Em todos os casos existia um excesso de autoconfiança e ausência de medo. Isso sim é perigoso, a ausência de medo e o excesso de autoconfiança. Ninguém é de ferro, todo corpo tem seus limites, e não é preciso ser inteligente para saber que o álcool deturpa, literalmente, a visão e noção da realidade.

Não estudar, gastar sem parar pode ser um grande erro, e a vida cobra muito caro por uma decisão tomada errada. Os pais não vão viver para sempre, o mercado exige muito do profissional de hoje, então não dá para ficar “errando para sempre”.

Exageros a parte, tem algo de muito bom em ter vinte e poucos ou tantos anos. É a sede de viver... Viver cada minuto como se fosse o ultimo, de saborear cada momento, cada noite, cada banho de chuva.. Não ter medo de errar, de começar de novo, de arriscar a experimentar coisas novas, conhecer pessoas, curtir amigos, a família, lugares.. Depois que alguns passam dessa fase a única preocupação é com ganhar dinheiro e com a morte, e assim acabam esquecendo de viver.

Já disse Renato Russo “Disciplina é liberdade..”. Tem-se que buscar o equilíbrio. Estudar, trabalhar, sem esquecer de viver. Curtir a vida, sem esquecer das responsabilidades.



terça-feira, 20 de novembro de 2007

Quem não bebe tem mais historia para contar...

Quem não bebe sempre ouve essa frase "Quem não bebe, não tem história pra contar..", mas sempre discordei disso. Para mim quem não bebe (ou bebe pouco), e tem amigos que bebem, tem mais histórias para contar.

Para o bom bebedor chegar em casa, tem que contar com a ajuda de um amigo (ou de vários) para chegar em casa inteiro. E esse amigo, por razões óbvias, tem mais consciência do que ocorreu na farra, portanto pode dar detalhes das situações.

O pior porre é o que te faz perder a consciência do que você fez. E seu amigo que não bebeu vai lhe contar que você: ligou chorando pro cara que você estava afim e se declarou; que você subiu no capô do carro e dançou "Égüinha Pocotó"; que você desmaiado tomando glicose acordou do nada gritando "Vamo beber caralho!!!"; que você foi encontrado jogado na frente de casa só de cueca e todo sujo de lama as 7h da manhã; que você "ficou" com seu amiguinho de infância no bar e dançou "shortinho santropê" no barzinho; que você foi dar um arroto e acabou vomitando; que você e sua melhor amiga "lavaram toda a roupa suja" sobre roubar os ex-namorados uma da outra; que encontrou você de nariz quebrado e toda a casa suja de sangue, porque você porre deu de cara em uma parede; que você ficou sentado na janela do carro (em movimento) cantando e acenando com ambas as mãos para seus amigos no carro de trás; que você bebeu água pensando que era sua 7ª dose de tequila e nem desconfiou; etc.

O seu amigo que não bebeu é quem vai lhe levar para casa, dar-lhe banho, trocar sua roupa, quando você "perder a vaidade", e também quem vai levar o carro na volta para casa. E é ele quem vai dar um jeito de ninguém ver a hora e como você chegou em casa.

Em suma, seu amigo que não bebe tem muita história para contar, mas não conta porque é seu amigo mesmo. Então se ele toma leite (coquetel de frutas sem álcool, coca-cola, milk-shake, etc.) você e ele podem dizer que "fizeram amigos tomando leite".


domingo, 11 de novembro de 2007

Minha vida em um GOL: Grande Ônibus Lotado.

 

Como diz a sabedoria popular: “Não tem ninguém mais fudido que estudante universitário..” E infelizmente, para a maioria isto é um fato. A maior parte dos estudantes utiliza coletivos para se deslocarem de suas casas (ou sabe se lá o que..) para suas universidades ou faculdades. E eu sendo estudante também, conheço essa triste realidade.

Na cidade onde morei, o ônibus era praticamente o único meio de transporte disponível para mim, uma vez que era uma estudante morando fora de casa e com o dinheiro contado para passar o mês. Quem anda de ônibus em cidades grandes sabe que nos horários comerciais, ele sempre vai estar lotado. Sabe que talvez você vá passar a viagem toda de pé, sendo empurrada, amassada e esfregada (ixi..), por pessoas de todo tipo, desde limpa e cheirosas, até as fedidas e meladas de suor. Entretanto, não é nada fácil manter-se cheiroso e arrumado dentro de um deles. Algumas linhas passam por ruas que não possuem pavimentação, ficam com os bancos, pisos e até a “roleta” cheios de poeira, suja tudo! Acrescente-se a isso que Belém, como todas as cidades do norte do país, é muito quente e ônibus barato não tem ar-condicionado. Para andar com mais conforto nos “fresquinhos” (ônibus com ar-condicionado), tinha-se que pagar quatro vezes o valor da meia passagem, e estudante não pode se dar esse desfrute.

Não se imagina o quanto é difícil se equilibrar dentro de um ônibus lotado, de salto alto, carregando pastas, livros e mantendo o olho na bolsa para não ser roubada. Portanto, eu era uma estudante legítima: vestia roupas simples, usava tênis e andava de mochila ou pasta carteiro. Sempre fui criticada por colegas “bem nascidos”, por sempre me vestir feito uma “moleca”, mas graças a isso ou não, nunca fui assaltada. Um dia, um desses colegas (que sempre andava arrumado) não pôde ir de carro para a universidade, então pegou exatamente o mesmo ônibus que eu pegava. Um homem sentou-se ao seu lado puxou um canivete e levou-lhe tudo o que tinha de valor, inclusive um anel que havia sido de sua avó. Depois de recolher tudo, o ladrão levantou-se e desceu no ponto seguinte. Resumo: assaltou somente meu colega porque era o único “diferente” lá. Regra 1ª para sobreviver em uma cidade grande: Não chame atenção!

Nos ônibus vê-se de tudo: mendigos de muletas que pedem dinheiro e depois descem andando normalmente com as muletas nos ombros; homens tarados se esfregando nas mulheres indefesas; motorista parando no meio do percurso para tomar água de coco, chope (sacolé), ou para comer pastel; vendedores de jujubas, incenso, picolé, oferecendo seus produtos com um inteligível “Licença”, que parece mais um “sssississs”; pedintes surdos-mudos, cegos, pedintes expondo suas feridas, ou falando que tem cinco filhos para criar, ou entregando papéis com tristes histórias; lê-se avisos pregados informando que depois das 18h o ônibus não passará em uma determinada rua por falta de segurança; doentes mentais gritando dentro do ônibus; brigas de pessoas com o trocador; etc.

Em cinco anos que morei lá estive em três acidentes e em incontáveis ônibus que quebraram no meio do caminho. Em um dos acidentes de ônibus eu tive algumas escoriações nas mãos e cheguei em casa coberta de vidro.Enfim, vida em um GOL é um caos!

Às vezes é divertido: quando um amigo seu finge que é um vendedor; ou outros inventam de "pendurar" (não pagar) a passagem do ônibus e desce correndo pela porta de trás; ou alguns amigos seus fingem que são gays e ficam jogando beijos para os que vão descendo; quando você sai com um grupo de amigos para ir ao cinema; quando você finalmente está voltando para casa após um dia cansativo; etc.

São tantas histórias para contar..



sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Boas ou más intenções?

Primeira parte: As boas intenções...

Um grupo de amigos e conhecidos meus, fãs de Harry Potter, resolveram se unir e criar uma equipe para a montagem de um áudio-book, intitulado "Projeto AudioBook", no qual seria produzido uma versão em áudio dos livros de J. K. Rowling. O projeto não possui qualquer fim lucrativo, sendo voltado aos deficientes visuais.

Desde o inicio de agosto a equipe vem juntando colaboradores e fazendo testes para a escolha das vozes dos personagens do primeiro livro do tão famoso bruxinho. Com a ajuda de voluntários e suas vozes parece que o primeiro livro começará a ser gravado antes do final do ano. Torço para que tudo ocorra bem, apesar das dificuldades...

Segunda Parte: As más intenções...

Infelizmente, nem tudo tem sido rosas para o projeto. A primeira pedra no caminho foi a tentativa frustrada de plágio de um outro grupo. E agora veio a pior de todas: a injusta acusação de pirataria.

Uma jornalista (sem querer ofender os jornalistas de verdade), chamada Gisela Anauate, acusou o grupo de pirataria em uma reportagem na Revista Época. Para a infelicidade e ignorância dela, a ideia do áudio-book não é pirataria. Não constitui crime traduções, reproduções literárias que não tenham fins lucrativos, quando voltadas a deficientes visuais. Neste caso a lei é bem clara, principalmente para "jornalistas que sabem ler":

"Lei 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998 sobre direitos autorais.
Alteração, atualização e consolidação da legislação.
Título terceiro, dos direitos do autor. Capítulo Quarto.
Das limitações aos direitos autorais. Artigo 46, Parágrafo primeiro, idem D.
Não constitui ofensa aos direitos autorais, a reprodução de obras literárias, artísticas ou científicas para uso exclusivo de deficientes visuais, sempre que a reprodução, sem fins comerciais, seja feita mediante o sistema Braille ou outro procedimento com qualquer suporte para esses destinatários."

Parte final: "Vamos celebrar a estupidez humana..."

Infelizmente no Brasil, há um verdadeiro analfabetismo das leis de nosso país por boa parte dos brasileiros. Este analfabetismo não escolhe classe, mas sim aqueles que não procuram saber e lutar por seus direitos.

É muito triste observar neste nosso planetinha que quem não tem algo de bom a oferecer aos outros, tente deturpar as intenções daqueles que se doam aos outros. Num mundo tão egoísta tal como o que vivemos, atitudes como dos voluntários do projeto, deveriam ser aplaudidas e não sujas com mentiras.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Primeiro Post..

O que escrever no meu primeiro post?? Fiquei pensando... Talvez falar sobre mim, ou sobre como sou ou o que gosto, mas acho que seria chato, e por questões óbvias vocês irão me conhecer aos poucos no decorrer dos meus posts.

Resolvi criar este blog, com o mesmo objetivo (acredito eu) que os demais blogueiros, falar sobre a vida, suas alegria, dificuldades e opiniões. Entretanto, nunca fui muito boa em escrever textos ou cartas.. Sempre acabo "fugindo do tema da redação".. As vezes o texto fica bem confuso.. hehehe.. Como estou começando, acredito que com o passar do tempo meu blog vá adquirindo suas próprias características, as quais podem ser bem diferentes dos primeiros posts.. Enfim.. "Vamos ver no que dá.."

Este fim de semana tive o prazer de poder assistir o tão comentado filme "Tropa de Elite", como a maioria, adorei o filme, somente achei ele um pouco "suave" a respeito da violência, pois sempre ouvir que a realidade seria bem pior do que a mostrada no filme. Soube que o filme não foi o escolhido para concorrer ao Oscar, o que achei uma pena, pois tal como "Crash" (o vencedor do Oscar de melhor filme), mostra a realidade dura da violência em uma das mais famosas capitais do país.

Bom, mas sendo indicado ou não, o filme mostra o retrato que ninguém (ou apenas uma pequena parcela da sociedade) não queria ver: que a violência que enfrentamos no dia-a-dia nada mais é que o resultado do comportamento de pessoas de classes mais elevadas e que se consideram "instruídas" ou "intelectuais".

Eu nunca experimentei droga nenhuma, e para ser sincera sempre me orgulhei disso. E muito antes do filme sempre citei propagandas contra as drogas como exemplo, para tentar convencer alguns que eles mesmos estavam "patrocinando" o tráfico de drogas. Eu sempre ouvia "Ah, maconha não é droga.. Devia ser legalizada..." Sendo droga ou não, ela é ilegal, e sendo ilegal somente os traficantes as tem, e cada vez que um usuário compra, ele está patrocinando a compra de uma nova arma para os traficantes.. Ou como diz o capitão Nascimento, quantas crianças mais vamos ter que perder para o tráfico para que certas pessoas possam fumar seu baseado?

E como é retratado no filme, infelizmente alguns desses são "bem nascidos", estudantes, intelectuais.. Infelizmente tive que ouvir de algumas dessas pessoas, sua indignação contra a violência que sofreram ao ter seus anéis, dinheiro e celular roubados, quando que eles mesmos acobertavam amigos que sempre tinham uma "erva" ou uma "bala" para oferecer na balada de toda Sexta-Feira.

Já diz o ditado: "A gente colhe aquilo que planta..."