domingo, 11 de novembro de 2007

Minha vida em um GOL: Grande Ônibus Lotado.

 

Como diz a sabedoria popular: “Não tem ninguém mais fudido que estudante universitário..” E infelizmente, para a maioria isto é um fato. A maior parte dos estudantes utiliza coletivos para se deslocarem de suas casas (ou sabe se lá o que..) para suas universidades ou faculdades. E eu sendo estudante também, conheço essa triste realidade.

Na cidade onde morei, o ônibus era praticamente o único meio de transporte disponível para mim, uma vez que era uma estudante morando fora de casa e com o dinheiro contado para passar o mês. Quem anda de ônibus em cidades grandes sabe que nos horários comerciais, ele sempre vai estar lotado. Sabe que talvez você vá passar a viagem toda de pé, sendo empurrada, amassada e esfregada (ixi..), por pessoas de todo tipo, desde limpa e cheirosas, até as fedidas e meladas de suor. Entretanto, não é nada fácil manter-se cheiroso e arrumado dentro de um deles. Algumas linhas passam por ruas que não possuem pavimentação, ficam com os bancos, pisos e até a “roleta” cheios de poeira, suja tudo! Acrescente-se a isso que Belém, como todas as cidades do norte do país, é muito quente e ônibus barato não tem ar-condicionado. Para andar com mais conforto nos “fresquinhos” (ônibus com ar-condicionado), tinha-se que pagar quatro vezes o valor da meia passagem, e estudante não pode se dar esse desfrute.

Não se imagina o quanto é difícil se equilibrar dentro de um ônibus lotado, de salto alto, carregando pastas, livros e mantendo o olho na bolsa para não ser roubada. Portanto, eu era uma estudante legítima: vestia roupas simples, usava tênis e andava de mochila ou pasta carteiro. Sempre fui criticada por colegas “bem nascidos”, por sempre me vestir feito uma “moleca”, mas graças a isso ou não, nunca fui assaltada. Um dia, um desses colegas (que sempre andava arrumado) não pôde ir de carro para a universidade, então pegou exatamente o mesmo ônibus que eu pegava. Um homem sentou-se ao seu lado puxou um canivete e levou-lhe tudo o que tinha de valor, inclusive um anel que havia sido de sua avó. Depois de recolher tudo, o ladrão levantou-se e desceu no ponto seguinte. Resumo: assaltou somente meu colega porque era o único “diferente” lá. Regra 1ª para sobreviver em uma cidade grande: Não chame atenção!

Nos ônibus vê-se de tudo: mendigos de muletas que pedem dinheiro e depois descem andando normalmente com as muletas nos ombros; homens tarados se esfregando nas mulheres indefesas; motorista parando no meio do percurso para tomar água de coco, chope (sacolé), ou para comer pastel; vendedores de jujubas, incenso, picolé, oferecendo seus produtos com um inteligível “Licença”, que parece mais um “sssississs”; pedintes surdos-mudos, cegos, pedintes expondo suas feridas, ou falando que tem cinco filhos para criar, ou entregando papéis com tristes histórias; lê-se avisos pregados informando que depois das 18h o ônibus não passará em uma determinada rua por falta de segurança; doentes mentais gritando dentro do ônibus; brigas de pessoas com o trocador; etc.

Em cinco anos que morei lá estive em três acidentes e em incontáveis ônibus que quebraram no meio do caminho. Em um dos acidentes de ônibus eu tive algumas escoriações nas mãos e cheguei em casa coberta de vidro.Enfim, vida em um GOL é um caos!

Às vezes é divertido: quando um amigo seu finge que é um vendedor; ou outros inventam de "pendurar" (não pagar) a passagem do ônibus e desce correndo pela porta de trás; ou alguns amigos seus fingem que são gays e ficam jogando beijos para os que vão descendo; quando você sai com um grupo de amigos para ir ao cinema; quando você finalmente está voltando para casa após um dia cansativo; etc.

São tantas histórias para contar..



Um comentário:

  1. Affffffff, sei bem como é essa vida. O bom de tudo isso é que depois de passar por esse processo, dá pra saber q podemos sobreviver e muito bem a muitas situações. Num fururo... assim espero... essas histórias de GOL serão boas piadas em uma rodinha de amigos em uma sexta a noite kkkkkk.

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