segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Fan fic: Dentro de um filme - 8º capítulo


Doom


Comecei a andar de um lado para outro na cela, desesperada. Eu sabia que essa confusão toda custaria a vida de Frigga. Eu tinha que fazer algo para evitar. Loki deve ter notado minha ansiedade, pois olhou para mim e gritou:
- O que está acontecendo?
Não tive tempo de responder. O monstrengo do elfo negro havia chegado à minha cela. Por instinto eu me afastei da cerca, então inexplicavelmente ele destruiu a cerca de minha cela. Ele se virou e foi em direção a cela de Loki. Eles ficaram se encarando e então ele se virou para ir para as escadas. Loki falou para ele pegar as escadas da esquerda. Loki me olhou e eu balancei a cabeça negativamente. Murmurei “Você não devia ter dito isso...”.
Soou o alarme, o caos era geral. Guardas chegaram aos montes e começaram a lutar contra os fugitivos. Aproximei-me da beirada da cerca que o elfo tinha destruído, fiquei ponderando como iria passar entre aquela confusão para chegar às escadas ou ir procurar alguém que pudesse avisar Odin ou Thor a tempo.
- Então vai tentar fugir sua traidora? - vociferou para mim. Loki estivera me observando o tempo todo.
- Eu não sou você! - respondi com raiva.
- Está perdendo seu tempo, você jamais conseguirá fugir de daqui ou de Argard. Não sem ajuda.. - disse com ironia.
Bufei de raiva, eu não tinha tempo para ficar discutindo com ele. Tentei me lembrar do filme. Lembrei que Thor iria até a prisão lutar com os prisioneiros, mas não sabia por qual entrada ele viria. Tomei coragem e pulei no meio do campo de batalha. Sai me esquivando em meio aquela confusão. Espadas e lanças passavam rentes a mim. Quando estava prestes a alcançar a escada mais próxima um guarda agarrou meu braço.
- Preciso falar com Thor! - implorei.
Puxei meu braço de volta e tentei desviar dele. Ele, por sua vez, apontou sua lança para mim. Levantei os braços. Um dos prisioneiros o acertou pelas costas, em seguida veio em minha direção. Peguei a lança do guarda e apontei para ele. Com um único golpe de espada ele arrancou a lança das minhas mãos fazendo-a deslizar pelo chão. Em seguida deu outro golpe. Atirei-me para o lado, mas a espada pegou de raspão em meu braço esquerdo fazendo um corte profundo. Neste momento apareceu outro guarda e o atacou.
Levantei-me, coloquei a outra mão no braço e voltei a correr. Nessa hora ouvi a voz de Thor em outro corredor. Segui a direção que acreditava ter vindo o som, mas aquele lugar era um labirinto. Meu braço ainda sangrava e na correria caí várias vezes pelo caminho. Senti tudo tremer. Percebi que já estava muito atrasada. Cheguei a um corredor onde os prisioneiros já estavam caídos no chão, talvez Thor já tivesse passado por ali. Corri em direção às escadas e avistei Thor e Fandral à minha frente.
- Thor! - gritei - Thor, temos que achar Frigga, ela corre perigo! - supliquei correndo em direção a ele.
Thor parecia ponderar sobre o que eu havia dito.
- Eu não estava tentando fugir, estava tentando te encontrar. São os elfos negros! Eles vieram a Asgard atrás de Jane, atrás do Aether que ela carrega! - falei de supetão, quase sem fôlego, na esperança de que ele acreditasse no que eu dizia. Trancada naquela prisão, somente se eu realmente soubesse o que ia acontecer, saberia que Jane estava em Asgard.
- Você vem comigo! - disse pegando meu braço e me puxando.
Saímos em direção ao quarto de Frigga. Ao chegarmos lá, a cena que vi foi chocante. Vi Frigga sendo apunhalada pelas costas pelo elfo-monstro. Gritei, mas meu grito foi abafado pelo som do raio que Thor lançou no rosto de Malekith. Em seguida vi Thor correr e atirar o Mjölnir duas vezes em direção ao monstro e Malekith enquanto fugiam. Jane saiu de seu esconderijo e Odin entrou. Odin se aproximou de Frigga e segurou seu rosto em silêncio. Frigga estava morta. Eu havia falhado novamente. Por mais que eu tentasse, algumas coisas pareciam pertencer a um destino imutável, no qual eu apenas conseguia mudar os meios, mas nunca o fim.


Conduziram-me a um local onde cuidaram de meu braço ferido e de outros arranhões. A morte de Frigga me doía muito, embora eu não entendesse o porquê. Enquanto cuidavam de mim, permaneci em silêncio. Fiquei refazendo meus passos, imaginando o que poderia ter feito para chegar a tempo, não conseguia deixar de me sentir culpada. Por que não tinha pensando que poderia estar em outro filme? Por que não fiquei atenta a todos os prisioneiros que chegavam na prisão? Talvez se tivesse dormido menos, se eu soubesse quantos dias levariam desde a nossa chegada até o ataque. Por que não fui ao cinema assistir o filme mais vezes? Fiquei me torturando.
Por fim, no meio da noite, os guardas voltaram e conduziram-me de volta à prisão. Loki estava sentado lendo.
- Eu avisei que perdia seu tempo tentando escapar. Pelo jeito isso quase lhe custou um braço. - disse Loki olhando para mim e para meu braço enfaixado.
- Loki... Eu sinto muito.. Eu juro que tentei evitar.. - falei com a voz chorosa.
Loki me olhou com curiosidade, parecia não entender sobre o que eu estava falando. Pensei que a essa hora ele já sabia sobre Frigga e que já estaria usando suas ilusões para ocultar a sua dor. Eu estava enganada. Eu tinha feito besteira novamente.
- O que houve? O que você lamenta? - perguntou ansioso para mim.
- Thor? Odin? - continuou perguntando. Não havia sarcasmo ou ironia em sua voz. Nem tão pouco havia um sorriso de vitória em seu rosto. Talvez eu estivesse certa, talvez ele se importasse com Thor e Odin.
- Você previu algo! Por isso saiu daqui da prisão! Vamos! Diga-me! - gritou comigo.
- Loki... Durante o ataque, sua mãe... - fiz uma pausa procurando coragem para dizer – Sua mãe faleceu... - eu disse finalmente deixando as lágrimas rolarem por meu rosto. Falei cada palavra sentindo uma pontada no peito.
A expressão de Loki mudou de dúvida para sombrio. Ele deu as costas para mim e alguns móveis da cela voaram e se despedaçaram contra a cerca e paredes. Eu me virei e fiquei de costas para a cela de Loki. Ouvi mais barulhos de coisas se quebrando. Eu já não conseguia conter o choro. Sentei no chão e escondi meu rosto em minhas mãos aos soluços. Ouvi Loki gritar em sua cela. Agora eu entendia porque a morte de Frigga me afetara tanto. Eu não suportava vê-lo sofrer. O que estava acontecendo comigo?


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Fan fic: Dentro de um filme - 7º capítulo


The dungeons



Fiquei tão absorta em meus pensamentos, tão anestesiada, que só fui perceber que estava a caminho da prisão quando comecei a descer as escadas. Ao chegar ao último degrau vi que parecia um labirinto. As prisões de Asgard eram como eu lembrava, como eu havia visto em “Thor: o mundo sombrio”.
Pensava que iria dividir a cela com outros prisioneiros, como tinha visto no filme, afinal eu não era um dos filhos de Odin, mas ao chegar à minha cela vi que estava enganada. A cela ficava perto de uma das escadas de acesso à prisão, nela tinha uma cama, uma mesa e uma cadeira. A cela tinha duas paredes brancas e os outros dois lados tinham a cerca dourada. Ao chegar ao fundo da cela notei que havia uma porta de vidro com brilho dourado que ficava de frente para a segunda parede da cela. Sua estranha posição no cômodo criava uma ilusão de óptica, dando a impressão de que era uma parede branca lisa para quem olhasse a cela de frente. Atrás desta porta havia um banheiro com uma banheira, uma mesa, com alguns vidros e toalhas sobre ela, e uma espécie de cabide para roupas. Neste havia três vestidos. Pensei “Isso só poderia ser uma piada”. Os vestidos tinham em comum as seguintes cores: verde, preto e dourado. Definitivamente, em Asgard, minha fantasia tinha sido interpretada da maneira correta: uma apologia a Loki.
Ao sair do banheiro, os guardas já haviam partido e o dourado havia tomado conta da entrada lateral, pela qual entrei. Notei que havia dois livros sobre a mesinha da cela.
- Frigga... - murmurei. Só ela teria a compaixão de me oferecer todas essas regalias. Abri um dos livros. - Runas.. - resmunguei tristemente. Eu não sei asgardiano.
- Duvido que consiga ler o que está escrito. - ouvi uma voz familiar dizer.
Levantei a cabeça e olhei para a cerca da frente de minha cela. Quem falava comigo era o Loki.
- Então a traidora não conseguiu convencer o “pai de todos” de que era inocente? - disse Loki com sarcasmo.
- Pelo jeito só consigo enganar os filhos. - respondi amargamente.
- Você nunca me enganou! Eu sabia que estava tentando me manipular! Que estava escondendo o que sabia! - gritou.
- Realmente.. Eu falhei.. Não consegui fazer você mudar de ideia, por isso, agora, estamos os dois aqui presos. - retruquei.
- Oh. E quer que eu lamente por você, sua mulher estúpida? Quer que eu sinta pena de você? - vociferou.
- Eu não... O máximo de tempo que posso passar presa são algumas décadas... Você é que tem a pena maior... Milhares de anos.. Eu que lamento por você. - respondi ironicamente.
Vi ele bufar em sua cela. Ele ficou me encarando por um tempo. Em seguida voltou a falar.
- O que eu ainda não entendi é porque você ficou do meu lado, se desde o início sabia que eu iria perder. Você por acaso não viu isso em seu futuro? - perguntou Loki. - Ou você é burra ou é suicida. - completou.
Suspirei alto. Era perda de tempo ficar rebatendo tudo o que ele dizia. Por mais que eu soubesse que fui condenada por apoiá-lo, e que ele não se importara comigo, eu não conseguia sentir raiva dele. E pior, eu não sabia por que. Sentei no chão bem próximo a parede dourada e olhei para ele.
- Eu não posso ver meu próprio futuro. - confessei - E mesmo que você não acredite, o que lhe falei lá no seu esconderijo é verdade. Desde que conheci você, me simpatizei, me identifiquei com sua história. Como tinha lhe contado, eu tenho um irmão, e nosso relacionamento é tão conturbado quanto o seu com Thor. - completei.
Ele ficou um tempo me olhando. Depois se sentou no chão também próximo à cerca dourada e ficou me olhando.
- Eu mal falo com meu pai. Nossas conversas são sempre difíceis. Ele está sempre me comparando ao meu irmão, me culpando por algo. Minha mãe é o contrário, nunca senti diferença em relação ao amor que ela me dava e ao que dava a meu irmão. Sei que Frigga também é assim em relação a você. - continuei.
Eu não nunca fui uma pessoa muito emotiva, tão pouco falava sobre mim. A única pessoa com quem compartilhava os meus sentimentos era Phillip. Mas com Loki era tão natural falar sobre como me sentia em relação à minha família, que as palavras fluíam naturalmente.
Depois de ficar algum tempo absorto em seus pensamentos, Loki finalmente voltou a falar.
- Odin não sabe o erro que está cometendo. Thor é um idiota! Não serve para ser rei! Não saberia como governar! Ele continua sendo arrogante e imprudente! Pude comprovar isso quando ele invadiu Jotunheim! - disse com raiva.
- Você falando em arrogância? Eu até concordo em parte com você. Concordo que, mesmo hoje, mesmo tendo mudado e se tornado menos arrogante, ele ainda não tem condições de governar. Na verdade, ele parece nem desejar isso. Mas foi você que o induziu a ir até Jotunheim. Entretanto, se não tivesse feito isso, se Thor não tivesse sido banido, ele não teria amadurecido. Ele não seria o que é hoje. Pelo menos isso Odin deveria reconhecer. - rebati.
Ele franziu o cenho e ficou me olhando por um tempo.
- Você também sabe disso? Viu isso também? E vê algo de bom no que fiz? - perguntou sorrindo com ironia.
- Você pode não ter tido a intenção. Mas que no fim fez algo de bom, você fez. - respondi sorrindo. - Sei que você no fundo ama Thor, assim como eu amo meu irmão. E sei que você no fundo ama Odin, só não quer admitir. Você se revolta por que no fundo se importa, porque isso te afeta. Se não se importasse com o que ele sente por você, você já teria seguido em frente e não sentiria tanto ódio. Quando nós dois aceitarmos que, mesmo que tentemos ser merecedores, eles nunca nos amarão da mesma forma que amam nossos irmãos, nós encontraremos paz. Temos que aceitar que nossos pais apenas nos amam do jeito deles, mas nunca igual. - respondi.
Loki revirou os olhos fazendo cara de desdém. Eu sorri e voltei a falar.
- Enquanto esse dia não chega, eu vou continuar remoendo as minhas mágoas também. - completei sarcasticamente.
- Eu quero o trono. Ele me pertence. Eu nasci para ser rei. - retrucou.
- Você mesmo disse ao Thor “Eu nunca quis o trono, eu apenas queria ser seu igual”. - rebati sorrindo.
Ele sorriu de volta e ficou um tempo me olhando. Em seguida se levantou, pegou um dos livros que tinha, deitou-se na cama e começou a ler. Eu olhei para os meus em cima da mesa e suspirei. Tudo o que eu podia fazer era ver as figuras.


Os meses que se passaram pareciam séculos. Eu não tinha muito o que fazer na cela, então passava o tempo entre cantarolar músicas que eu gostava e entre importunar o Loki para saber o significado ou a pronúncia de alguma runa do livro. Ambas as atividades, passado algum tempo, deixavam o Loki muito irritado. Em outros momentos ficávamos conversando, principalmente quando os prisioneiros das celas ao lado adormeciam. Com o passar do tempo Loki estava se tornando mais amigável. Loki me contava lendas e algumas histórias que a Frigga costumava contar a ele quando criança. Eu também pensava muito em Phillip. Às vezes adormecia chorando, pensando nele e em minha mãe. Será que nunca mais os veria?
Eu já tinha perdido a noção do tempo, já não sabia quanto tempo fazia que eu estava presa. Eu também não sabia se era dia ou noite, então dormia em horários bizarros. Uma manhã eu acordei com o Loki gritando com alguém e com o susto cai da cama. Quando finalmente consegui me levantar, olhei para a cela dele. Ele estava de costas e sozinho. Eu devia ter tido um pesadelo.
Mais tarde, naquele mesmo dia, eu estava mais uma vez tentando decifrar runas, quando olhei para a cela de Loki e vi que ele estava brincando com um copo, deitado na cama. Fiquei olhando a cena por um tempo, senti quase um dejá vu, até que me toquei que realmente já tinha visto essa cena anteriormente. Foi quando ouvi gritos vindos de outras celas. Eu me levantei e aproximei-me da cerca dourada. Loki, em sua cela, fez o mesmo. Foi então que entendi o que estava acontecendo. O pesadelo se repetia, eu estava em outro filme. Thor, o mundo sombrio.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Fan fic: Dentro de um filme - 6º capítulo

A decisão de Odin


Tão logo chegamos a Asgard nos separamos Thor, Loki e eu. Thor me deixou aos cuidados de dois guardas de Asgard, os quais me conduziram a um quarto onde me mantiveram trancada por algum tempo. Tudo era muito luxuoso, muito dourado onde quer que fosse. O quarto também era lindo, mas naquele momento eu não tinha cabeça para apreciar nada do que via. Eu estava demais preocupada com meu próprio destino e de certa forma com o de Loki.
Refletindo, comecei a temer que tivesse piorado a situação para Loki, afinal, na história original, ninguém além de Thor tentou convencê-lo a mudar de ideia. Várias vezes tentei me convencer de que não mudara nada, de que minha presença no enredo era coadjuvante. Lembrei que Frigga intercederia por ele, mas eu, ao contrário de Loki, não tinha quem intercedesse por mim. Será que eu seria condenada à morte? Ou será que seria perdoada por meu arrependimento e ajuda? Perguntei-me se Thor conseguiria convencer Odin a mandar-me de volta para casa. E será que realmente existiria essa possibilidade? Os portais deles para outros mundos poderiam me mandar para o meu mundo? Lembrava que existiam nove reinos e que um deles era Midgard, a Terra, mas será que algum deles era a Terra de onde vim? Essas questões rodavam em círculos na minha mente pela noite que se seguiu, na qual permaneci acordada.
Na manhã seguinte estava um farrapo humano, quando um dos guardas veio trazer meu café da manhã. Não tinha estômago para comer, a refeição permaneceu intocada. No fim da tarde foi com alívio e medo que recebi a notícia de que finalmente Odin iria me receber. Ao sair do quarto recebi a primeira surpresa. Para me encaminharem até o salão real, fui algemada. Eu tinha me metido em uma encrenca, agora isto estava claro.
Fomos caminhando por aquele labirinto suntuoso e durante o percurso fui pensando no que tinha feito. Não me arrependia de ter escolhido Loki, mesmo que soubesse desde o início que não era um sonho. Eu gostava dele e o compreendia, teria tentando igualmente convencê-lo a mudar de ideia, a evitar tudo aquilo. Provavelmente teria mentido a ele que o apoiaria, para no fim tentar fazê-lo mudar de ideia. Jamais arriscaria deixar tudo o que eu sabia nas mãos da S.H.I.E.L.D. Isso poderia custar a vida de Loki. Em suma, não teria sido diferente de nada do que fiz.
Finalmente chegamos às portas de entrada do salão. Senti um calafrio percorrer toda a minha coluna. Respirei fundo, ergui a cabeça e segui os guardas quando abriram as portas. Odin estava sentado no trono e Frigga estava ao seu lado. Ao parar diante dele fiz uma reverência e esperei.
– Então você é Aredhel, a vidente de “outra Midgard”? - Perguntou Odin me fitando.
– Er.. - Hesitei por um instante. Percebi que Thor já havia falado sobre mim, e talvez também o próprio Loki. Eu tinha que continuar mentindo. - Sim. Sou. - Respondi.
– E você não sabe como veio parar aqui? - continuou.
– Não. - Respondi, mas senti que a pergunta tinha um certo tom de ironia, o que logo em seguida confirmei.
– Uma mulher que pode ver o futuro, mas que não conseguiu ver como e porque foi parar em Midgard? - perguntou me encarando.
Eu não havia conseguido nem enganar Natasha, fui salva do interrogatório por Thor, e como eu havia imaginado, Odin também não seria enganado facilmente. Loki podia não ser filho dele, mas era astuto como o pai. Entretanto eu também sabia me esquivar.
– Não consigo ver meu próprio futuro. - respondi.
De certa forma era verdade. Eu sabia o destino de todos no enredo, menos o meu. Desde o início estava me arriscando sem saber se isso poderia custar a minha vida.
Odin pareceu ponderar por um instante o que eu havia dito e em seguida voltou a questionar.
– Se sabia tudo o que Loki iria fazer, por que se ofereceu para ajudá-lo? - novamente perguntou.
– Por que era a única forma de tentar evitar tudo aquilo. Não tenho super força ou outros poderes especiais. Tudo que eu podia fazer era tentar persuadi-lo. - respondi lembrando-me de tudo que tinha pensando na noite anterior, que no fim faria tudo igual.
– Se queria evitar a dominação de Midgard, porque não se juntou aos outros humanos? - perguntou novamente com ironia na voz.
Olhei para Frigga, voltei a olhar para Odin, dei um longo suspiro e respondi a pergunta.
– Eu não queria que isso custasse a vida de Loki. Eu quero o bem dele.. - respondi e baixei a voz e a cabeça ao dizer as últimas palavras. Senti meu rosto corar, mas não entendi o porquê.
Levantei novamente a cabeça e vi que Frigga me olhava de um jeito estranho, franzindo o cenho, quase com compaixão. Voltei minha visão novamente para Odin e seu olhar era o contrário, via fúria em seus olhos.
– Então acredita que a vida de Loki vale mais que a vida de mais de uma centena de humanos? Acha que sua decisão foi justa? - vociferou para mim.
Eu abri a boca chocada, mas não emiti nenhuma palavra. Eu nunca havia pensando dessa forma. Lembrei-me das pessoas que vi correndo, das pessoas que vi morrendo. Senti o remorso tomando conta de mim. Eu tinha tanto sangue nas mãos quanto o Loki.
– Nunca confiei em videntes. Videntes sempre manipulam a situação a favor de seus próprios interesses. - começou a falar Odin – E você fez a mesma coisa! Escolheu Loki em detrimento da vida de inocentes! Você não passa de uma manipuladora tão egoísta quanto Loki! - gritou.
Permaneci calada. Sentia vergonha de mim mesma. Pensei que era o fim, que seria condenada a morte.
– Devo reconhecer que buscou remediar a situação ao ajudar Thor e os humanos a fechar o portal. Entretanto não tenho certeza que se fez isso para salvar a si própria, ao invés de realmente estar preocupada com a dominação de Midgard. O que tem a dizer em sua defesa? - perguntou Odin.
– Realmente tentei evitar mais mortes ao revelar a Thor que sabia como fechar o portal, mas não tenho como provar minhas reais intenções..- respondi tristemente.
Vi Frigga tentar dizer algo, mas Odin levantou a mão para ela, fazendo-a desistir.
– O seu lugar não é aqui, nem em Midgard e nem em outro mundo que eu conheça. Ainda não sei de onde exatamente você é e nem como mandá-la de volta. O que sei é que já tomei minha decisão. - completou Odin.
Respirei fundo, mantive a cabeça erguida. Estava com medo, mas sabia que tinha que enfrentar minha pena, seja qual fosse.
– Declaro você, Aredhel, culpada por ter auxiliado Loki em seu plano maléfico de tentar subjugar Midgard. E condeno você à prisão perpétua ou a permanecer presa até que se encontre uma forma de enviá-la ao seu mundo. E saiba que você só não foi condenada à morte por ter o benefício da dúvida sobre seu arrependimento. - sentenciou Odin.
Fiquei congelada onde estava. As palavras de Odin ecoavam em minha mente. Ouvi um gemido de pesar vindo de onde Frigga estava. Não olhei, imaginei que ela se apiedara de mim, mas meu destino agora estava selado. Eu podia ter escapado da morte, mas provavelmente jamais voltaria para casa. Jamais veria Phillip novamente.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Fan Fic: Dentro de um filme 5º capítulo


Nenhuma boa ação fica impune


Depois que saímos da torre Stark, levaram Loki e eu sob custódia para o quartel-aeronave da S.H.I.E.L.D. Chegando lá me colocaram em uma cela e não soube o que fizeram com Loki. Passado algum tempo veio uma mulher que trouxe roupas limpas e que fez curativo em meu pulso, cuja aparência não era nada boa. Com certeza eu ficaria com uma cicatriz. Eu estava muito cansada, física e mentalmente. Depois de comer uma refeição oferecida por eles, caí no sono. O sono mais uma vez foi agitado, sonhei com as coisas que tinha testemunhado, sonhei com Phillip, com meu lar e, ao acordar, voltei a ficar preocupada.
Eu ainda era considerada uma ameaça, havia começado ajudando o Loki e, para completar, meus poderes poderiam despertar o interesse da S.H.I.E.L.D. Na manhã seguinte me levaram para uma sala toda de vidro e lá Natasha entrou. Eu não precisava ser vidente para saber o que iria acontecer, eu seria interrogada.
Natasha começou amigavelmente a me falar que se eu colaborasse e fosse honesta não haveria problemas. Comecei a ficar nervosa. Caso perguntassem sobre a minha “vidência”, eu provavelmente estaria encrencada, temi entrar em contradição. Natasha começou perguntando como eu havia chegado lá, e fez perguntas parecidas com as de Thor e Loki. Respondi a verdade: que eu não sabia. Contei sobre a floresta, a luz que vi, a queda livre e etc. Pediu que eu repetisse a história várias vezes, assim como perguntou também inúmeras vezes se eu não sabia quem tinha me enviado para lá e se eu já conhecia Loki. Respondi todas as perguntas com sinceridade. De fato, antes de chegar lá eu não conhecia pessoalmente o Loki, então respondi tudo com tranquilidade.
Perguntou sobre minha “mediunidade”. Repeti exatamente o que já tinha dito a Loki e Thor e ela pediu que eu explicasse. Expliquei que era como assistir um filme, eu via as coisas que iriam acontecer num futuro próximo e, às vezes, distante, mas que nem sempre era tão claro. Falei que, às vezes, via sobre pessoas que eu não conhecia pessoalmente, mas que eram relacionadas a pessoas que eu já conhecia. E que, às vezes, também não conseguia ver nada do futuro de algumas pessoas, que era algo que não podia controlar. Pediu que eu falasse algo sobre o futuro.
– Vejo vocês sendo considerados como heróis em noticiários. E vejo que agora vão se separar, mas que em um futuro não muito distante, ainda nebuloso, vocês terão que se reunir novamente. - respondi.
Ela não pareceu surpresa, sua expressão era indecifrável. Então ela finalmente perguntou por que eu havia dito a Loki que poderia ajudá-lo, porque eu havia me juntado a ele. Nessa hora soltei um suspiro, tinha que ser sincera, mas também tinha que ocultar parte da verdade. Dizer que era fã de Loki e que pensei que tudo aquilo era um sonho, não seria visto com bons olhos.
– Ao conhecer Loki e ver o que vi, pensei que podia tentar persuadi-lo. Evitar toda aquela situação. - respondi.
– Então porque não se juntou ao nosso lado desde o início? - perguntou com malícia.
– Eu não queria que o matassem. - respondi sinceramente.
– E por que não? Ele é um assassino! Causou tanta destruição! Porque queria protegê-lo? - respondeu ferozmente.
– Todo mundo tem marcas vermelhas em seu currículo, mas todos tem direito a uma segunda chance. - respondi ironicamente. - Tentei faze-lo mudar de ideia, como não consegui, o que restava era ajudar vocês. Antes disso não podia fazer nada. Não tenho superpoderes. - continuei.
Natasha não pareceu muito feliz com o que tinha dito, afinal ficou claro que eu sabia muito mais sobre ela do que podia imaginar. Talvez isso tenha a convencido definitivamente sobre minha “vidência”, mas também tinha deixado evidente que de certa forma eu simpatizava com Loki. Porém isso não tinha como esconder.
Alguém falou algo no comunicador dela, que a fez repentinamente se levantar e se retirar. Fiquei lá esperando. Estava cansada, aquela situação toda era estressante, e o interrogatório tinha sido longo. Fiquei repensando tudo que tinha dito e quando chegava à parte final do meu interrogatório sentia medo, não tinha ficado claro o motivo pelo qual eu ajudara Loki. Passado algum tempo ela retornou trazendo Thor.
– Foi feita uma investigação de suas digitais e DNA, que recolhemos dos talheres e copos com os quais comeu na sua cela. Você definitivamente não possui um registro em nosso planeta. Ainda não descobrimos como veio ou quem trouxe você até aqui. Thor acredita que talvez possa conseguir voltar ao seu mundo com a ajuda de Odin. Você pode partir para Asgard sob tutela de Thor ou permanecer aqui e ficar sob a tutela da S.H.I.E.L.D. Essas são suas opções. - disparou Natasha para mim.
Tentei digerir tudo o que tinha ouvido. Acreditava que essa loucura toda poderia ser uma realidade alternativa, que talvez tivesse outra “eu” nesse universo, mas eu estava enganada. O que tinha ficado claro é que eu não estava “livre”. Em ambas alternativas eu estaria sob custódia de alguém. Se eu ficasse, sabe-se lá como a S.H.I.E.L.D iria me utilizar, ou melhor, utilizar as habilidades que proclamei ter. Isso era uma cilada. Convenhamos, eu estava no lugar errado e tinha que voltar para casa, não tinha outra escolha.
– Eu preciso voltar para meu mundo. Eu escolho Thor. - respondi.
– Levarei você para Asgard, mas não posso garantir que retorne para seu mundo. E lá seus atos também serão avaliados por Odin. - avisou Thor.
– Eu não tenho escolha. - dei de ombros.
Levaram-me de volta para minha cela e lá fiquei mais alguns dias. Não sabia o que estava acontecendo, apenas podia imaginar. Lembrava, do filme, que eles levaram alguns dias para construir o “receptáculo”, onde colocariam o Tesserac, que Thor e Loki utilizariam para retornarem a Asgard. Então imaginei que a espera fosse isso. Nesse período pensei muito em Phillip. Sentia muita falta dele e me preocupava não ter a certeza de que conseguiria retornar, isso me tirava o sono. Passado esse tempo, finalmente vieram me retirar da cela e seguimos até o parque para a esperada partida.
Comecei a me despedir de todos, mesmo estando sob desconfiança de todos os Avengers. Foram bem amistosos na despedida. Ao me despedir de Tony não escapei de ouvir uma piadinha sobre minha roupa.
– Talvez desde o início você já estivesse devidamente vestida para esta visita a Asgard. - disse ironicamente ao me cumprimentar enquanto olhava para minha roupa e em seguida para Loki.
Para partir tinha pedido minha roupa de volta e devolveram-na limpa. Eu tinha entendido a indireta de Tony. Ele definitivamente não tinha acreditado em tudo o que eu havia dito. Parecia coincidência demais a fantasia. Na hora fiquei feliz de ter perdido a tiara. Sorri sarcasticamente e não tentei me explicar, mas não pude me conter.
– Sabe Stark, você fique atento, às vezes o passado volta para nos assombrar. - falei ironicamente.
– O que você quer dizer? - perguntou.
– Que você deve ficar atento. Com a sua adorável arrogância, você fez muitas inimizades, também tome cuidado com amigas do passado. Elas podem não ser confiáveis. E por favor, tente não surtar com tudo isso que aconteceu aqui. – sorri sarcasticamente, então parei por aí. Tive medo de causar mais confusão em uma história na qual eu não estaria para consertar, mas isso só atiçou a curiosidade dele.
– O que você viu? Algo vai me acontecer? E... Eu sou arrogante? - perguntou ansioso.
– Não seja curioso demais. E sim, você é arrogante, mas é isso e sua inteligência que fazem você ser o meu Avenger preferido. - me esquivei. Ele apenas sorriu convencidamente.
Por fim me despedi dos demais, juntei-me a Thor e Loki e segurei nas mãos dos dois. Eles giraram o receptáculo do Tesseract e partimos. Em um piscar de olhos eu estava diante de Heimdall. Eu ainda não tinha retornado para casa. Eu estava em Asgard.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Fanfic: Dentro de um filme - 4º capítulo


Mudando a história

O Erik ainda estava desacordado e o cetro havia caído. Comecei a temer que, tentando mudar o futuro, eu estivesse piorando. Thor conseguiu se livrar dos Chitauris que estavam nos atacando, mas já era tarde. Várias aeronaves gigantes estavam saindo do portal. Daquele momento até a decisão do Conselho, eu tinha apenas alguns minutos.
Thor aterrissou na minha frente e olhou para o portal. Eu sabia que ele precisava retardar a entrada de mais aeronaves, tinha que seguir o plano que o Capitão América havia feito no filme. Eu tinha que consertar a situação e colocar o Thor no local que ele deveria estar. Fiquei torcendo que ele não tivesse feito muita falta lá em baixo.
- Thor! Você precisa usar seus raios para retardá-los. Muitos outros virão! Eu vou atrás do cetro! Seus amigos vão se reorganizar e continuar lutando contra eles! Tente ganhar tempo! Você tem que retardar ao máximo a vinda deles! - falei rápido. Ele me olhava meio em dúvida se confiava em mim ou não. - Você precisa confiar em mim. - implorei.
- Certo! Mas lembre-se do que falei! - gritou para mim enquanto partia para o topo de um prédio próximo.
Saí correndo pelas escadas do prédio, tropeçando e caindo, até alcançar o andar e o pátio externo onde havia caído o cetro. Já sem fôlego comecei a subir, novamente aos tropeços, as escadas até o terraço. Ao abrir a porta do terraço vi Natasha e Erik, já acordado. Ela o ajudava a se levantar. Mais uma vez percebi que já era tarde e a essa hora o Conselho de Segurança já tinha tomado a decisão.
Respirei fundo e saí pela porta. Neste instante Natasha me olhou e fixou os olhos no cetro que eu carregava. Erik fez o mesmo.
- Eu sei como fechar o portal. Eu posso ajudar. - falei rapidamente antes que ela fizesse algo contra mim.
- O cetro de Loki... A energia dele... O Tesseract não pode lutar... Você não pode se defender de si mesmo... - falou Erik confusamente.
- Não é sua culpa. Você não sabia o que estava fazendo. - Respondeu Natasha para Erik, mas sem tirar os olhos de mim.
- Não é isso que ele está tentando dizer. O que ele quer dizer é que o cetro pode fechar o portal. - interrompi.
- É! Eu construí a máquina com uma forma de cortar sua força. Talvez o cetro possa fechar o portal. - completou Erik.
- Barton comentou que você tentou convencer Loki a desistir de seus planos. Se você deseja realmente ajudar, então entregue o cetro. - Natasha falou para mim.
Podia ver a desconfiança nos olhos dela. Muito calmamente coloquei o cetro no chão e dei um passo para trás com as mãos levantadas.
- O cetro é de vocês, mas peço que antes falem com Nick Fury. O Conselho de Segurança já tomou a decisão. Eles enviarão um míssil nuclear para Manhattan. Os caças já devem estar partindo. - falei desesperadamente.
- Como? - perguntou Natasha um pouco chocada.
- Eu sei o que vai acontecer. Vocês precisarão manter o portal aberto por mais algum tempo. O Iron Man terá que guiar o míssil e o conduzir através do portal. Dessa forma ele poderá se livrar do míssil e ao mesmo tempo destruir a nave mãe dos Chitauri. Isso vai fazer com que automaticamente todas as naves que estão aqui parem de funcionar. Inclusive os soldados irão parar de se mover. Fale com o Fury ou mesmo com o Stark, por favor. - implorei.
Enfim tinha revelado de uma vez tudo o que iria acontecer. Torci para que ela acreditasse. Ela e Erik me olharam incrédulos por alguns segundos, até que ela reagisse e contatasse o grupo. Ela falou para o grupo que talvez pudessem fechar o portal e perguntou a eles sobre o Conselho. Pela sua expressão, vi que talvez Nick ou Tony tenha confirmado o que falei.
Erik arrumou o computador e Natasha posicionou o cetro na máquina. Tony cruzou o céu agarrado ao míssil, passou pelo portal e ficamos aguardando. Aquela espera toda estava me matando, os segundos pareciam minutos. Rezei para que todas as mudanças que eu havia feito não custassem a vida de Tony. Vi uma luz amarela no portal e em seguida Natasha fechou o portal. Prendi a respiração e só voltei a respirar quando vi o corpo de Tony caindo. Corri para a beirada do prédio e vi quando Hulk o agarrou e o levou para o chão. Não dava para ter certeza se ele estava vivo.
- Ele está vivo? - perguntei desesperada à Natasha. Ela balançou a cabeça em afirmativo.
Cai sentada no chão, enfim tinha acabado, tudo estava bem. Foi então que me lembrei de Loki. Será que ele estava bem? Levantei-me e saí correndo escada abaixo. Ouvi Natasha gritar algo, mas não entendi. Eu precisava ter certeza que ele ainda estava vivo.
Ao chegar ao andar vi que ele se mexia, mas ainda estava no chão. Aproximei-me e estendi a mão a ele.
- Eu tentei te avisar pro seu próprio bem. Eu não queria que você terminasse assim. - falei tristemente. Ele me olhou com desdém e pegou minha mão. Eu estava ajudando-o a levantar quando ele parou e olhou para algo atrás de mim. Eles, os Avengers, tinham chegado para a “pose final” do filme.
- Se a proposta ainda estiver de pé. Eu agora aceito aquele drinque... - Loki finalmente falou.
Eu ri, mas em seguida parei. Lembrei que mesmo tendo ajudado no final, o fato de eu ter apoiado Loki não ficaria impune.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Fan fic: Dentro de um filme - 3º capítulo

A torre Stark
A torre Stark era linda, uma verdadeira obra de arte. Ao chegarmos lá, Loki não voltou a me algemar. Estávamos no andar onde ficava o bar de Tony Stark. Loki se virou para mim e falou:
- Não saia deste andar e nem tente fugir. Eu estou de olho em você. Você me será muito útil quando eu for rei. Você disse que nada me impedirá de abrir o portal, certo? – perguntou.
- Sim.. Seu exército virá e com ele trará a destruição. – respondi secamente.
Meias verdades. Era óbvio que não iria revelar mais detalhes. Iria me limitar a responder unicamente o que ele perguntasse. Não iria correr o risco de mudar o fim do filme. Não pude evitar as mortes que aconteceram no filme, mas também não ia piorar a situação.
Ele seguiu para fora, para a plataforma de pouso do Iron Man e eu o segui. Olhei a cidade lá em baixo, as pessoas seguindo sua vida e imaginei que algumas jamais voltariam para casa. Senti-me culpada.
- Então consegui mudar o meu futuro? Você não me vê derrotado? – perguntou.
Eu tinha que mentir. Doía-me pensar em vê-lo preso, mas não tinha como ajudá-lo e não podia deixá-lo vencer.
- Sim.. - respondi baixo.
- É mesmo? E o que fiz para mudar o destino? – perguntou me encarando.
Será que ele tinha percebido que eu estava mentindo? Um medo me tomou naquele momento. Ele vinha caminhando em minha direção quando ouvimos uma explosão. Era o Iron Man tentando desativar a abertura do portal. Vimos Tony se aproximando de onde estávamos, Loki sorria vitoriosamente com o fracasso de Tony. Finalmente o Iron Man aterrissou na plataforma e suspirei aliviada, fui salva no último segundo.
Tony tirou sua armadura e Loki e ele começaram aquela conversa do filme, com algumas mudanças no diálogo. Isso me preocupou. Tony olhava para o Loki e depois para mim enquanto falava. Fiquei parada na sala olhando os dois sem saber o que fazer. Foi quando Loki se virou para a janela, Tony olhou para algo abaixo do balcão e viu que eu o estava olhando. Lembrei que ele precisava pegar os braceletes, isso tinha que acontecer e eu não podia atrapalhar. Loki estava de costas para mim, então eu coloquei a mão no pulso, balancei a cabeça e falei só com os lábios: “Coloque”. Tony fitou-me com dúvida, mas imediatamente pegou e os colocou.
Eles voltaram a discutir enquanto se aproximavam um do outro. Durante a conversa Loki tentou usar o cetro em Tony. Nesse momento coloquei a mão na boca para segurar o riso. Apesar de nervosa, isso pareceu bem engraçado na hora. Até que Loki agarrou Tony pelo pescoço e o arremessou ao chão. Sabendo o que ia acontecer, mais uma vez apelei para o Loki:
- Loki! Não! Não faça isso! - gritei.
Então ele agarrou novamente o Tony e o atirou pela janela.
- Tony! - gritei rezando que não tivesse alterado demais a história, que ele pudesse vestir a armadura.
Vi a armadura sair do armário e voar pela janela. Corri para ver se ele conseguiria vestir.
Assistimos Tony vestir a armadura em pleno voo e, em seguida, ele retornando. Nesse momento lembrei o que vinha em seguida.
- Tony não! - gritei.
Então Tony atirou em direção a Loki. Percebi o quanto estava dividida. Não queria ver mais ninguém machucado.
Ouvi outro barulho, o portal abriu e o caos iria começar. Vi pela janela o exército dos Chitauri começarem a destruir a cidade lá em baixo e me desesperei. Vi pessoas correndo, gritando e morrendo. Não era como no filme, onde as mortes são apenas presumidas. Era o horror da guerra.
Loki se levantou e seguiu para a parte externa. Thor chegou segundos depois.
- Loki! Desligue o Tesseract ou eu o destruirei! - Gritou Thor.
- Você não pode. Não há como pará-lo. Há apenas a guerra! - Loki respondeu.
- Então que seja. - Thor rebateu.
Os dois começaram a lutar. Eu assistia tudo aquilo chocada, era muito mais aterrador que emocionante. Tempo depois surgiu a aeronave com Barton e Natasha e eles trocaram tiros com Loki. Estava tudo acontecendo como no filme. Loki atingiu uma das turbinas e ela sumiu da minha vista. Em seguida aquela aeronave monstruosa surgiu do portal, da qual pulavam os Chitauri. O que estava ruim iria piorar e eu sabia bem disso.
- Olhe isto! Olhe ao seu redor! Você acha que essa loucura irá terminar sob o seu comando? - gritou Thor para Loki.
- É tarde demais. É tarde demais para parar. - Respondeu Loki.
- Não. Nós podemos. Juntos. - Thor completou.
Aproximei-me da área externa enquanto eles se olhavam e gritei:
- Cuidado Thor!!!
Tarde demais, Loki o atingiu com uma adaga e Thor caiu de joelhos.
- Sentimentos.. - Loki falou para Thor e em seguida Thor se levantou, chutou Loki, carregou-o no ar e o arremessou ao chão. Loki rolou pelo pátio e pulou em uma aeronave e sumiu.
Aproximei-me de Thor, olhei para o pátio e vi que o cetro tinha ficado. Minha mente viajou em segundos pelo resto do filme. Se pegasse o cetro e fechasse o portal neste momento, outras aeronaves inimigas não passariam pelo portal. Lembrei que Hulk destruiria a que já estava na Terra e pensei que talvez os Avengers pudessem dar conta dos que restassem. Mas tinha que ser rápido, antes que o Conselho decidisse mandar o míssil para lá. Lembrei ainda que talvez, fechando o portal, cortasse a comunicação entre a aeronave mãe e os que estavam na Terra, como acontece no filme quando o míssil atinge a aeronave mãe. Seria muita sorte se isso acontecesse.
- Thor, eu sei como fechar o portal! - Falei rapidamente.
- Você? Você não estava ao lado de Loki? Afinal quem é você e de onde veio? - Perguntou com uma expressão confusa e agressiva ao mesmo tempo.
- Eu queria o mesmo que você. Queria que Loki desistisse dessa loucura toda, não queria vê-lo preso. Eu quero o bem dele, mas infelizmente não deu certo. Não consegui convencê-lo. - falei com sinceridade. - Me chamo Aredhel e venho de outro mundo muito semelhante a este, também chamado Terra. Cheguei aqui momentos depois que seu irmão, mas ainda não descobri como vim parar aqui ou como retornar... - continuei.
- Quer o bem dele? Fala como se o conhecesse há muito tempo. Você já conhecia o Loki? De onde? - retrucou.
- A partir do momento em que conheço as pessoas posso ver o futuro dela, e às vezes, o passado também. - Mais uma vez menti. Não podia contar a Thor toda a verdade. De que isso tudo era um filme. Iria só deixar a situação mais enrolada, parecendo uma mentira, além de fazer perdermos um tempo precioso. - Conheci seu irmão quando cheguei aqui. - completei.
- Por que deveria confiar em você? Será que não está tentando me enganar a mando dele? Será? - perguntou ferozmente.
Ele tinha razão. Nick Fury deve ter comentado que me ofereci para ajudar o Loki. Inclusive que eu sabia sobre o futuro e que usaria isso para, quem sabe, garantir a vitória de Loki. Ele não sabia nada ao meu respeito, apenas que tinha aparecido lá do nada e que tinha me juntado a Loki.
- Porque eu estou lhe dizendo que sei como fechar o portal. Eu sei o que vai acontecer. Se não fechar o portal logo, mais naves virão e maior será a destruição. - respondi.
- Diga então como posso fechá-lo? - Perguntou ainda com desconfiança.
- O cetro de Loki. Ele é a chave para fecharmos o portal. Pegue o cetro e lá eu lhe explico melhor. Também vamos precisar da ajuda do Dr. Selvig que está desacordado lá em cima.
Ele balançou a cabeça concordando, mas ainda meio desconfiado.
- Está certo. Vou dar a você essa chance. Mas se me enganar, com você não terei piedade. Loki é meu irmão, você não é nada para mim. - falou.
Thor então pegou o cetro, veio em minha direção, passou o braço pela minha cintura e saímos voando em direção ao topo da torre.
Ao chegarmos lá em cima, corri em direção a Erik para tentar acordá-lo, mas no meio do caminho alguns tiros atingiram o chão a minha frente. Ao me virar, vi que nossa movimentação no terraço tinha chamado atenção de alguns Chitauri. Thor saiu para combatê-los, mas acabou levando o cetro. Loki tinha razão, o irmão dele era impulsivo demais.
Gritei para o Thor jogar o cetro e ele me ouviu, mas, ao jogá-lo, um Chinaturi atingiu o cetro e ele caiu andares abaixo. Desesperei-me. Minha tentativa de mudar a história tinha fugido ao controle. Eu já não sabia se o final do filme ainda seria o mesmo.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Fan fic: Dentro de um filme 2º capítulo

Soberba


- Como você, eu também tenho um irmão. Ele é mais novo que eu, mas desde que nasceu, desde que eu me lembro, ele sempre foi o preferido de meu pai. Meu irmão nunca errava, sempre era o bom filho e eu a má filha. Não importava o quanto eu tentasse ser uma boa filha. Ele nunca me trataria da mesma maneira que meu irmão. – acabei contando sobre mim.
Era muito estranho e ao mesmo tempo familiar estar contando isso a ele. Quando assisti o filme Thor pela primeira vez, o romance entre o Thor e a Jane tornou-se secundário diante da história do Loki. Vi na tela minha própria história sendo contada, a mesma mágoa que senti a vida toda. Era muito fácil compartilhar minha história com alguém que sentia o mesmo. O olhar de Loki parecia distante enquanto eu contava a minha história.
- Ao contrario de você, eu não sei até hoje o porquê disso. Eu não sou adotada, somos irmãos de sangue. – concluí.
Nesse momento Barton entrou no local e ficou parado esperando, de repente Loki saiu de seu estado distante e me olhou.
- Como você ousa acreditar que entende minha revolta? Você não sabe nada sobre mim! –disse com ferocidade.
- Posso não saber exatamente como se sente, mas sei o que vi. Vi sua revolta. E tomar a terra pra si não fará isso passar. Você mesmo disse que nunca quis o trono, só quis ser tratado de maneira igual ao Thor! Agora quer trazer caos e destruição aos humanos, por quê? Você está indo pelo caminho errado! Descontar no Thor as mágoas que tem por seu pai? Isso é tão infantil! Thor gosta de você como irmão! Se seu pai nunca te amou da mesma maneira, a culpa não é do Thor, é de Odin! Matar inocentes não vai mudar nada! – Não podia acreditar no que estava fazendo. Ao invés de conquistar sua confiança eu estava enfrentando o Loki? Eu deveria estar ficando louca.
- Cale-se sua mulher estúpida! Não me venha com essas apelações sentimentalistas! Acha que eu me importo com Thor, Odin ou mesmo Asgard? Acredita que os humanos são inocentes? Eles matam uns aos outros em guerras estúpidas! A liberdade que eles acreditam ter é uma ilusão! Uma liberdade controlada por assassinos que manipulam eles como querem! - vociferou.
- E daí se eles querem viver na ilusão? Alguns nem percebem que vivem em meio a mentiras! Isso cabe a eles decidirem! Você acredita realmente que pela tirania irá governar este planeta? Acredita que pelo medo conseguirá manter os humanos passivos? Isso nunca funcionou por muito tempo! Ditadores sempre caem! Não precisa ser vidente para saber que uma hora você vai perder, que uma hora será deposto! Além disso, você acredita que depois que entregar o Tesseract aos Chitauri eles deixarão você governar? Se você realmente acredita nisso, você é o tolo que eu jamais imaginei que fosse! – falei quase gritando.
- Chega!! Já chega! – Loki pegou o cetro, se aproximou de mim, pegou meu braço que estava livre e puxou-me. Eu o encarei face a face, temia pelo pior, mas não desviei o olhar.
- Eu não sou como os governantes deste planeta patético! E suas tentativas de me persuadir já me cansaram! - falou.
- Você se acha melhor que eles, mas você não se importa com as pessoas. Não se importa com quantas vidas terá que sacrificar. O que então o faz diferente deles? – perguntei trancando os dentes de raiva.
- Eu sou um Deus! – sorriu com desdém, largou-me no chão e deu-me as costas indo em direção a Barton.
- Sua soberba será a sua ruína!! – gritei enquanto ele e Barton saíam.
Depois que saíram, a espera parecia interminável e meu ombro e meu pulso estavam me matando de dor. Ficar com o braço pendurado pelas algemas era doloroso. As horas se arrastaram, então presumi que ele já havia partido para a Alemanha e que o resto da história estava ocorrendo conforme o filme. Não tinha conseguido convencer o Loki a mudar de ideia, ele era mais teimoso e orgulhoso que eu imaginava. Pessoas inocentes iriam morrer e eu ainda era refém. Não via como conseguiria voltar para casa antes do final do filme.
Nesse tempo comecei a pensar nas possibilidades de conseguir voltar para minha realidade. Será que teria que esperar o fim do filme? Será que com a abertura do portal para trazer os Chitauri, o Tesseract “corrigiria” o erro e me mandaria para casa? Se assim fosse, eu tinha que deixar a história do filme percorrer seu caminho “natural”. E se o portal não me levasse de volta? A S.H.I.E.L.D. poderia me prender, pois eu me ofereci para ajudar o Loki. Eu ficaria presa aqui e eles iriam me interrogar exaustivamente, porque eu tinha dito que era vidente. Eu estava ferrada! Talvez o Barton lembrasse que ele testemunhou minha tentativa de convencer o Loki a desistir dos seus planos. Talvez eu pudesse pedir para o Thor me levar até Asgard e lá eu pudesse retornar com a ajuda do Heimdall. Sim! Se o portal não me mandar de volta, se no fim do filme nada acontecer, só Heimdall pode me mandar de volta. Tem que haver uma maneira de voltar! Minha mente ficava dando voltas.
Depois de um tempo o cansaço me venceu e adormeci. Tive um sono agitado, sonhei com o filme, com minha discussão com o Loki e com meu braço sendo arrancado, enfim... Acordei com alguém me cutucando e me chamando pelo nome. Por um breve momento pensei que estava acordando do sonho maluco, mas era ilusão. Quando abri os olhos, era o Loki quem me chamava e estava com um sorriso enorme no rosto. A saga do filme continuava.
- E ai? Como foi? – Perguntei ainda meio sonolenta.
- Exatamente como você disse... – disse ele sorrindo ainda.
- Será que poderia me soltar ou pelo menos trocar de pulso as algemas? – Perguntei erguendo o braço dolorido. – Afinal nada e nem ninguém agora conseguirá impedir a abertura do portal. – Completei.
Ele continuou com aquele sorriso de vitória no rosto e tirou as algemas. Confesso que fiquei surpresa quando ele tirou e não voltou a me prender. Olhei para meu pulso e vi que o fato de meu braço ter ficado pendurado tanto tempo havia feito não só uma marca, mas também cortado a pele, que sangrava. Puxei a manga da camisa e cobri o corte. Definitivamente eu não estava sonhando e se eu podia me machucar, também poderia morrer naquele filme.
Loki me pegou pelo braço e embarcamos na mesma aeronave que ele havia utilizado para fugir. Lembrei-me de Coulson e imaginei que, se tudo foi igual, ele agora estava morto. Lamentei não ter conseguido mudar isso também.